Já imaginou uma batalha de freestyle regada a beats executados ao vivo por uma banda cheia de grovee? Já imaginou se esses beats fossem versões de músicas assinadas pelo sindico Tim Maia? E mais, já imaginou presenciar esse acontecimento na faixa, sem desembolsar sequer um real? Pois bem, isso é o que acontecerá amanhã, sexta-feira 13, no Duelo de MC’s, data da edição dedicada às clássicas batalhas de improviso.
No placo, os MC’s agraciados com a oportunidade de se enfrentarem na disputa de versos serão orquestrados por bases instrumentais saídas diretamente da cozinha do Black Sonora, uma das mais representativas e bem sucedidas bandas da nova safra da música mineira.
Pela novidade já vale garantir a presença debaixo do Viaduto Santa Tereza na noite de amanhã. O convite torna-se ainda mais tentador quando anunciadas as outras atrações da festa: roda de B.boys, graffiti ao vivo, DJ’s, a vibe do público, etc.
A interação entre Família de Rua e Black Sonora é um aquecimento para o “Tributo ao Racional Tim Maia”, festa que rola no próximo dia 21 em Belo Horizonte. Como já enunciado no post anterior, pela sétima vez a banda Black Sonora reúne um time de primeira para homenagear a fase racional de Tim Maia, um dos maiores nomes da música negra tupiniquim. Confira maiores informações no blog do Tributo.
Enfim, a noite de amanhã, ao contrário do que a data sugere, será mais uma daquelas noites abençoadas, dedicada à celebração da arte, da cultura e da alegria. Compareça! Leve alguém com você! É só chegar!
PDR Valentim
sexta-feira, 13 de março de 2009
Direto do site da Trama
Abra a porta e vá entrando...
Tudo é possível quando música e crença se encontram. Do batuque de terreiro ao canto gregoriano ou à celebração gospel, todo louvor cabe em melodias e todo ritmo se presta à devoção. Foi iluminado por Jah que Bob Marley tornou-se rastafári, fazendo do reggae a trilhasonora de uma fé que, não fosse por ele, seria praticada por bem menos gente. Tim Maia também teve sua incursão transcendental. Guiado por um “ser superior”, o “verdadeiro Deus”, como ele mesmo afirmava, Tim virou porta-voz da Cultura Racional. Sua fase mística, de 1974 a 1976, foi intensa e prolífica, mas acabou renegada com tamanho ímpeto que permaneceu por décadas sob o manto do mistério.
Felizmente, o espólio artístico daquele período sobreviveu. E o primeiro dos dois volumes assinados por Tim Maia Racional agora sai das sombras. Além do interesse que toda raridade suscita, esta é uma relíquia que pede para ser decifrada sob o signo de sua própria gênese. Uma das reputações que melhor definem a lenda de Sebastião Rodrigues Maia (1942-1998) é a de ele sempre ter mergulhado de cabeça naquilo em que acreditava. Quando aderiu à Cultura Racional, foi com o fervor típico de quem descobre “o caminho”. Como fazem os discípulos mais aplicados, Tim se dedicou de corpo e alma à nova crença: abandonou antigos hábitos, rasgou contratos que garantiam sua sobrevivência, forçou os músicos que o acompanhavam a comungar da mesma crença e, acima de tudo, pôs sua imagem e fama a serviço daquilo que se tornou sua razão de viver. Definindo a Cultura Racional como “um raciocínio superior a todos os raciocínios”, ele a defendia como sendo “a verdadeira luz da humanidade”. Tim Maia virou Racional por intermédio de Tibério Gaspar, compositor de BR-3 e Samarina. Lendo o livro Universo em Desencanto, ele se converteu a algo que é difícil de definir. Por isso mesmo, Tim preferia dizer o que a Cultura Racional não é: “Não é religião, não é seita, não é doutrina, não é ciência, não é filosofia, não é espiritismo. É um conhecimento vindo do nosso verdadeiro mundo de origem. Não é extraído de nenhuma mente humana”.
Comprovando sua excepcional musicalidade, Tim compôs maravilhas a partir do “imusicável”. Nem mesmo o criador da Cultural Racional, Manoel Jacintho Coelho (1903-1991), elevado por Tim ao posto de “maior homem do mundo”, poderia sonhar com um seguidor tão talentoso, capaz de transformar proselitismo em músicas formidáveis.
Convencido do “dever de fazer propaganda desse conhecimento” (nome que deu a uma de suas canções, lançada no volume 2), Tim Maia não se limitou a criar jingles fáceis. Embalou as palavras ditadas pelo Racional Superior em um som de arrasar, contando para isso com uma banda enxuta e polivalente. Nas gravações, Tim tocou baixo, bateria, percussão e flauta transversal.
Serginho Trombone assumiu o piano em uma das faixas. Além deles, tocaram Robson Jorge (órgão elétrico, piano, teclado), Paulinho Guitarra (guitarra, baixo, violão), Beto Cajueiro (baixo), Paulinho Trompete (trompete), Oberdan Magalhães (sax) e dois bateristas, Robério Rafael (que foi da banda Brylho) e Luiz Carlos Batera (ex-Banda Black Rio). O resultado evoca uma superprodução, com arranjos complexos e produção de primeira. Mas não foi bem assim. Tim arranjou tudo, com a colaboração de sua banda. E ele próprio produziu os discos, gravados em um estúdio sem grandes recursos. Ainda que tenha se desencantado rapidamente e passado o resto da vida evitando comentar sua fase racional, Tim Maia teve nela um de seus grandes momentos como artista. A prova, indiscutível, é este CD.
Para recuperá-lo do esquecimento, foi preciso um trabalho arqueológico: o master usado na atual versão é uma cópia restaurada a partir de um LP, já que não há vestígio algum daquelas gravações originais, exceto as poucas cópias prensadas que ainda restam, quase sempre castigadas pelo uso.
Como que perpetuando a aura mítica da obra racional, a Trama incluiu no mesmo álbum duas versões: uma remasterizada, outra com o som do vinil. O que pode parecer preciosismo é na verdade um sinal de respeito a esse tesouro da música brasileira. Ouça e comprove. Ou melhor: abra a porta e vá entrando...
Celso Masson
fonte: http://trama.uol.com.br/portalv2/album/index.jsp?id=4774
Tudo é possível quando música e crença se encontram. Do batuque de terreiro ao canto gregoriano ou à celebração gospel, todo louvor cabe em melodias e todo ritmo se presta à devoção. Foi iluminado por Jah que Bob Marley tornou-se rastafári, fazendo do reggae a trilhasonora de uma fé que, não fosse por ele, seria praticada por bem menos gente. Tim Maia também teve sua incursão transcendental. Guiado por um “ser superior”, o “verdadeiro Deus”, como ele mesmo afirmava, Tim virou porta-voz da Cultura Racional. Sua fase mística, de 1974 a 1976, foi intensa e prolífica, mas acabou renegada com tamanho ímpeto que permaneceu por décadas sob o manto do mistério.
Felizmente, o espólio artístico daquele período sobreviveu. E o primeiro dos dois volumes assinados por Tim Maia Racional agora sai das sombras. Além do interesse que toda raridade suscita, esta é uma relíquia que pede para ser decifrada sob o signo de sua própria gênese. Uma das reputações que melhor definem a lenda de Sebastião Rodrigues Maia (1942-1998) é a de ele sempre ter mergulhado de cabeça naquilo em que acreditava. Quando aderiu à Cultura Racional, foi com o fervor típico de quem descobre “o caminho”. Como fazem os discípulos mais aplicados, Tim se dedicou de corpo e alma à nova crença: abandonou antigos hábitos, rasgou contratos que garantiam sua sobrevivência, forçou os músicos que o acompanhavam a comungar da mesma crença e, acima de tudo, pôs sua imagem e fama a serviço daquilo que se tornou sua razão de viver. Definindo a Cultura Racional como “um raciocínio superior a todos os raciocínios”, ele a defendia como sendo “a verdadeira luz da humanidade”. Tim Maia virou Racional por intermédio de Tibério Gaspar, compositor de BR-3 e Samarina. Lendo o livro Universo em Desencanto, ele se converteu a algo que é difícil de definir. Por isso mesmo, Tim preferia dizer o que a Cultura Racional não é: “Não é religião, não é seita, não é doutrina, não é ciência, não é filosofia, não é espiritismo. É um conhecimento vindo do nosso verdadeiro mundo de origem. Não é extraído de nenhuma mente humana”.
Comprovando sua excepcional musicalidade, Tim compôs maravilhas a partir do “imusicável”. Nem mesmo o criador da Cultural Racional, Manoel Jacintho Coelho (1903-1991), elevado por Tim ao posto de “maior homem do mundo”, poderia sonhar com um seguidor tão talentoso, capaz de transformar proselitismo em músicas formidáveis.
Convencido do “dever de fazer propaganda desse conhecimento” (nome que deu a uma de suas canções, lançada no volume 2), Tim Maia não se limitou a criar jingles fáceis. Embalou as palavras ditadas pelo Racional Superior em um som de arrasar, contando para isso com uma banda enxuta e polivalente. Nas gravações, Tim tocou baixo, bateria, percussão e flauta transversal.
Serginho Trombone assumiu o piano em uma das faixas. Além deles, tocaram Robson Jorge (órgão elétrico, piano, teclado), Paulinho Guitarra (guitarra, baixo, violão), Beto Cajueiro (baixo), Paulinho Trompete (trompete), Oberdan Magalhães (sax) e dois bateristas, Robério Rafael (que foi da banda Brylho) e Luiz Carlos Batera (ex-Banda Black Rio). O resultado evoca uma superprodução, com arranjos complexos e produção de primeira. Mas não foi bem assim. Tim arranjou tudo, com a colaboração de sua banda. E ele próprio produziu os discos, gravados em um estúdio sem grandes recursos. Ainda que tenha se desencantado rapidamente e passado o resto da vida evitando comentar sua fase racional, Tim Maia teve nela um de seus grandes momentos como artista. A prova, indiscutível, é este CD.
Para recuperá-lo do esquecimento, foi preciso um trabalho arqueológico: o master usado na atual versão é uma cópia restaurada a partir de um LP, já que não há vestígio algum daquelas gravações originais, exceto as poucas cópias prensadas que ainda restam, quase sempre castigadas pelo uso.
Como que perpetuando a aura mítica da obra racional, a Trama incluiu no mesmo álbum duas versões: uma remasterizada, outra com o som do vinil. O que pode parecer preciosismo é na verdade um sinal de respeito a esse tesouro da música brasileira. Ouça e comprove. Ou melhor: abra a porta e vá entrando...
Celso Masson
fonte: http://trama.uol.com.br/portalv2/album/index.jsp?id=4774
Ouça Black Sonora no CAS

Salve Povo do BEN!
Numa relax, numa tranquila, numa boa???
Mais uma vez estamos nas ondas sonoras do podcast CAS | Caipirinha Appreciation Society, Programa de rádio londrino dedicado à diversidade da música brasileira apresentado pelos brasileiros MdC Suingue e Kika Serra.
Neste programa "Oh La La!" rolou a versão remixada de Que Beleza do projeto Malaquito 16, música gravada em 2004 pelo Black Sonora com David Bemfica no violão e André Lima nos teclados.
No mais... aquele abrAÇO e espalhe a palavra
Yuga
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quinta-feira, 12 de março de 2009
Black Sonora no Duelo de MCs | Aquecimento Tributo

Salve Povo do BEN!
Numa relax, numa tranquila, numa boa???
Nesta Sexta-feira 13 estaremos no Duelo de MCs como banda de apoio tocando ao vivo as bases para a galera rimar, como o Tributo ao Racional TIM MAIA está chegando, a idéia é tocar bases de músicas do Sindico, vamos ver no que dá.
Para aqueles que ainda não tiveram oportunidade de conhecer o trabalho do Familia de Rua, esta é uma ótima oportunidade.
O Duelo de MCs acontece todas as sextas a partir das 20h debaixo do Viaduto Santa Teresa (ao lado da Serraria Souza Pinto).
No mais... aquele abrAÇO e espalhe a palavra
Yuga
quarta-feira, 11 de março de 2009
O papo agora é "racional" com Sérgio Pererê
O cantor, compositor e percussionista Sérgio Pererê é Integrante do Tambolelê, grupo que possui dois álbuns gravados e diversas participações ao lado de artistas como Milton Nascimento e Maurício Tizumba. Dono de uma voz com características marcantes, Pererê é reconhecidamente um dos mais importantes músicos do estado. Trocamos uma idéia bacana com ele sobre o Tim Maia Racional e até questões políticas surgiram na conversa. Confira abaixo.
Qual foi o seu primeiro contato com os discos da fase “racional” do Tim Maia?
Foi há uns vinte anos atrás, quando conheci algumas pessoas da cultura racional. Eram fãs de black music e do Tim Maia, talvez até pelo fato de ele ter feito dois discos voltados para a crença deles.
E qual foi a sua primeira impressão em relação àquele trabalho?
Achei a música muito poderosa, principalmente porque ele usou a arte pra expressar uma verdade pessoal. Quando ele se vale da arte pra dizer algo em que acredita isso por si só torna a obra louvável. Ele se baseou em coisas pessoais para compor aquelas músicas, como quando ele diz “já senti saudade,já fiz muita coisa errada” são experiências pessoais, entende? É como funcionam as letras do John Lennon, por exemplo. São muito verdadeiras, e essa verdade pessoal é o que as torna universais, assim como estas músicas do Tim Maia.
O trabalho do Tim influenciou você enquanto cantor?
Com certeza. Como cantor negro é impossível negar a presença do Tim Maia. Ele possuía uma extensão vocal fantástica, uma grande capacidade de improvisar nas mais diversas situações. De certa forma o Tim Maia é o grande mestre de cerimônia da música brasileira.
Você participou do último Tributo ao Racional Tim Maia, como rolou o convite?
Eu já havia visto o Black Sonora, conhecia alguns deles, como o Yuga por exemplo. Desde o início gostava muito do trabalho e estava interessado em fazer algum trabalho com os caras. Lembro que uma vez, eu estava indo pra Espanha, havia acabado de assistir ao show da banda e pedi o cd para que eu pudesse levar e contribuir de alguma forma. Algum tempo depois rolou o convite para participar do Tributo, e eles tiveram muita paciência comigo porque eu estava com outras músicas na cabeça (risos), mas deu tudo certo no final.
Há uma revalorização da música negra brasileira da década de 70, por parte do público jovem. Como você avalia isso?
É necessário voltar lá atrás pra analisar a importância disto. Nos anos 70 surgiram ícones negros como Cassiano, Toni Tornado e que traziam essa questão do “orgulho em ser negro” num país como o nosso, que é preconceituoso e tem dificuldades em lidar com isto. Nos anos 80 este pessoal desapareceu, só o Tim Maia permanecia, e aí ficou um hiato. Anos depois existe essa revalorização, mas ela não veio sozinha, veio com uma mudança de comportamento. Não tenho dificuldades em falar da questão étnica porque sou muito tranquilo em relação a isso, mas o fato é que ser negro no Brasil continua difícil, mas é mais fácil do que foi há anos atrás, quando você se olhava no espelho e tinha certeza que a sua aparência era errada, isso acontecia muito, principalmente com as garotas. Então hoje você escuta “o negro é lindo”, considero isso um avanço, mas é pouco, já que as pessoas estão preocupadas apenas com a estética. A coisa é mais importante do que dizer “a gente é lindo”, vai além disto, é uma questão de identidade. Fazer um tributo ao Tim Maia é fazer homenagem à alguém que era antenado nisso tudo, e tem uma simbologia importante já que em outros tempos festas assim não seriam vistas com bons olhos, por uma questão meramente cultural.
É necessário voltar lá atrás pra analisar a importância disto. Nos anos 70 surgiram ícones negros como Cassiano, Toni Tornado e que traziam essa questão do “orgulho em ser negro” num país como o nosso, que é preconceituoso e tem dificuldades em lidar com isto. Nos anos 80 este pessoal desapareceu, só o Tim Maia permanecia, e aí ficou um hiato. Anos depois existe essa revalorização, mas ela não veio sozinha, veio com uma mudança de comportamento. Não tenho dificuldades em falar da questão étnica porque sou muito tranquilo em relação a isso, mas o fato é que ser negro no Brasil continua difícil, mas é mais fácil do que foi há anos atrás, quando você se olhava no espelho e tinha certeza que a sua aparência era errada, isso acontecia muito, principalmente com as garotas. Então hoje você escuta “o negro é lindo”, considero isso um avanço, mas é pouco, já que as pessoas estão preocupadas apenas com a estética. A coisa é mais importante do que dizer “a gente é lindo”, vai além disto, é uma questão de identidade. Fazer um tributo ao Tim Maia é fazer homenagem à alguém que era antenado nisso tudo, e tem uma simbologia importante já que em outros tempos festas assim não seriam vistas com bons olhos, por uma questão meramente cultural.
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Muro Racional por Hyper
Salve Povo do BEN!
Numa relax, numa tranquila, numa boa???
Olha ai mais um "muro racional" pela cidade, dessa vez a arte ficou por conta do grafiteiro Hyper e vc pode ver de perto na av. do contorno, Floresta ao lado do Lobo Mau.

Foto por Cubanito.
No mais... aquele abrAÇO e espalhe a palavra
Yuga
Numa relax, numa tranquila, numa boa???
Olha ai mais um "muro racional" pela cidade, dessa vez a arte ficou por conta do grafiteiro Hyper e vc pode ver de perto na av. do contorno, Floresta ao lado do Lobo Mau.
Foto por Cubanito.
No mais... aquele abrAÇO e espalhe a palavra
Yuga
terça-feira, 10 de março de 2009
Mais fotos do Muro Racional
Salve Povo do BEN!
Numa relax, numa tranquila, numa boa???
Ai vai mais fotos do "Muro Racional" feito pelos grafiteiros Iron 2, Gud e MTN na av. Cristovão Colombo - Savassi.
Numa relax, numa tranquila, numa boa???
Ai vai mais fotos do "Muro Racional" feito pelos grafiteiros Iron 2, Gud e MTN na av. Cristovão Colombo - Savassi.
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